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14/09/2004
Campanha política
conquista espaço na web
Apesar de uma legislação pouco clara, portais oferecem pacotes
publicitários especiais aos partidos políticos
Juliana Mausbach
votoavoto@uol.com.br
Do Voto a Voto
Embora ainda provoque receio em algumas empresas
de Internet, a publicidade eleitoral on-line deve ganhar força no
Brasil esse ano. Com a proximidade das eleições municipais e a
estimativa de que os partidos tenham reservado cerca de R$ 30 milhões
para investimentos em campanhas na web, os portais e provedores de
acesso à Internet entraram na disputa pelo mercado.
O iG e o Yahoo foram os
primeiros a disponibilizar pacotes específicos de publicidade eleitoral
aos candidatos e também os primeiros a levantar polêmica, já que não
existe no Brasil uma normatização exclusiva para campanhas eleitorais
on-line. Atualmente, utiliza-se a regulamentação das eleições em geral
(Resolução 21.610), que, apesar de autorizar a utilização da
Internet, proíbe qualquer tipo de propaganda eleitoral em páginas de
provedores de acesso à Internet.
A advogada Patrícia Peck, especializada em direito digital, alega que é
preciso discutir a resolução em questão porque ela permite várias
interpretações e não é específica. Segundo ela, na Internet existem
propagandas e ações por ato de vontade como o e-mail, chats e busca,
que seriam legalmente aceitáveis.
A gerente de marketing do iG, Adriana Bellinatti, explica que a
Internet pode ser considerada uma mídia audiovisual e em alguns casos,
mídia impressa e portanto está regulamentada. "O nosso jornal Último
Segundo é um jornal na Internet, mas não deixa de ser um jornal e
então, se é permitido fazer propaganda eleitoral nos jornais, é
permitido também fazer nos jornais on-line", defende. Adriana lembra
que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fez observações do que não
poderia ser veiculado na web, mas muitos pontos não receberam atenção e
são neles que o iG e o Yahoo Brasil estão apostando.
Os dois portais tiveram como ponto de partida pesquisas entre
internautas. O iG constatou que havia interesse dos usuários em saber
mais sobre os candidatos, mas que, a maioria deles, não pretendia
visitar o site dos partidos. Para Adriana isso significa que o
internauta está esperando um contato em ambiente neutro, como o do
provedor, e por isso, criaram-se os pacotes.
Disponíveis desde o começo de agosto para todos os candidatos e
partidos em igualdade de condições, eles incluem chats, blogs, e-mail
marketing, pop-ups e banners. O valor dessa publicidade varia de R$ 50
à R$ 150 mil por mês, dependendo da intensidade das ações. Outro
serviço oferecido pelo iG é a pesquisa eleitoral on-line -o site
disponibiliza uma enquete idealizada pelo partido, que tem menor custo
e é mais ágil que as tradicionais. Com esses pacotes o portal espera
aumentar seu faturamento em R$ 500 mil.
Já o Yahoo Brasil não divulga a previsão quanto ao volume de
faturamento porque é um segmento novo para o portal e para a Internet,
mas acredita que os pacotes vão servir como interação entre eleitores e
candidatos. "A principal vantagem dos pacotes on-line é que eles
complementam a mídia de forma estratégica, pois permitem ao candidato,
pedir votos, levar potenciais eleitores para dentro de seus sites e
estabelecer relacionamento direto com eles", explica o diretor
comercial do Yahoo, Olavo Ferreira.
Enquanto os dois portais se animam com a possibilidade de faturamento,
o Terra e outros provedores
preferiram ficar fora desse mercado. Segundo Fernanda Assis, do
departamento de relacionamento com o cliente do Terra, a possibilidade
foi estudada, mas propaganda de fundo político não faz parte da
filosofia do site e nem foi regulamentada ainda. Mesmo o Cosmo On-line,
que não se inclui na categoria de provedor de acesso, não se decidiu
ainda. Wagner Cunha, gerente técnico comercial, diz que a inclusão de
propaganda eleitoral no site deve ser estudada caso a caso por causa da
falta de regulamentação específica.
Tanto faz
Mesmo que a propaganda eleitoral na Internet tivesse uma regulamentação
própria, o editor do Cosmo on-line, Artur Araujo, não acredita que a
mídia no Brasil tenha, na área política, força suficiente para sustentar
a campanha de qualquer candidato. "A web, hoje, ainda engatinha na
questão política. Ela vai servir para reforçar o que você já fez nos
outros meios, mas nessas eleições, acredito que esse tipo de campanha
não vá para frente", explica.
Araujo lembra o caso de Howard Dean, pré-candidato do Partido Democrata
à presidência dos Estados Unidos nestas eleições de 2004, que vai ser
lembrado por ter criado um projeto de blog eleitoral, atraindo adeptos
para a sua causa. Esses militantes desenvolveram uma rede de sites na
web para auxiliar na campanha e recolher recursos. Os partidários de
Dean doaram para os cofres do candidato algo em torno de US$ 70
milhões. O projeto político do "candidato blogueiro", entretanto, não
vingou, apesar do sucesso inicial. .
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