Voto a Voto

02/10/2004

Três dos quatro favoritos à Prefeitura são os que mais gastaram dinheiro

Doutor Hélio foi o que mais investiu, com R$ 2,5 milhões, seguidos do petista Luciano Zica e Carlos Sampaio, com R$ 2 milhões

Milena Fernandes dos Santos
votoavoto@uol.com.br
Do Voto a Voto

Campanhas eleitorais movem milhões de reais por eleição. A procedência e o destino desse dinheiro muitas vezes são desconhecidos pelos eleitores. Em Campinas, cuja população é estimada atualmente em 1,5 milhão de habitantes, sete dos oito candidatos* ao Palácio dos Jequitibás gastarão, somados, quase R$ 10 milhões. (passe aqui o mouse para ver o gráfico)

O dinheiro gasto nestas eleições daria para sustentar mais de 37 mil famílias que vivem com salário mínimo. Para que a população tenha acesso e possa controlar esses gastos foi criado o ICDC, Informação de Contas Durante a Campanha.

O ICDC foi idealizado com a finalidade de informar com transparência o eleitor, a qualquer momento, durante o decorrer das campanhas, as receitas e despesas de cada candidato e comitê. Os dados estão disponíveis nos sites dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) (clique aqui para acessar o do Estado de São Paulo).

As informações divulgadas são fornecidas voluntariamente pelo próprio candidato ou comitê. A falsidade dos dados sujeita o infrator a penalidades estipuladas no artigo 348 do Código Eleitoral. Segundo os dados fornecidos pela Justiça Eleitoral, os quatro candidatos com mais chances de vencer o pleito são aqueles que mais gastaram em suas campanhas eleitorais.

Em primeiro lugar está o pedetista Dr. Hélio, com R$ 2,5 milhões; em segundo lugar, empatados, estão o petista Luciano Zica e o tucano Carlos Sampaio, com R$ 2 milhões. Os candidatos do PL, Fernando Quércia e do PSDC, Ricardo Xavier, gastaram até o momento R$ 1 milhão, apesar de não terem conseguido chegar sequer a 5% das intenções de voto. O quarto colocado nos levantamentos feitos pelo Ibope, Datacorp e Toledo e Associados, Jonas Donizete, foi o mais "econômico" dos favoritos: só gastou R$ 600 mil.

O cientista político Pedro Rocha Lemos acredita que essa transparência tem papel importante, na campanha do candidato. "Eu acho fundamental a população fazer parte disso, porque você tem que saber de onde vem o dinheiro. Acho mesmo que as campanhas deveriam ser de financiamentos públicos, com a proibição de financiamentos privados, porque só assim a distribuição de verba de campanha seria igual", enfatiza.

Pedro Lemos acredita que mesmo assim é difícil a população fiscalizar os gastos, "O povo mal consegue fiscalizar os eleitos, quanto mais os candidatos". Porém sugere formas de a população estar mais próxima desses dados e escolher melhor na hora do voto. Organizações não-governamentais como a Cidadania e sociedades civis organizadas com a OAB são algumas delas.

A bailarina Aline Pimentel acredita que apesar das informações serem divulgadas aparentemente com transparência, existe muito dinheiro além do comprovado que a população não vê. "Você acha que não existem empresários que por troca de favores acabam dando um dinheiro por fora para a campanha do candidato que lhe interessa?".

Já o engenheiro da computação Renato Pinheiro confia nas informações cedidas pelos candidatos. "Hoje em dia o povo está mais esperto com os políticos, eles (os políticos) não seriam ingênuos a ponto de divulgar números errados, mais cedo ou mais tarde a população iria descobrir", conclui.
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* Nota da Redação: a reportagem não conseguiu obter dados do candidato Josias Abom, do PCO.