|
29/09/2005
Imprensa especializada diz sim ao referendo
Para Adagoberto Baptista e Bargas Filho, proibição da venda de armas ajudará a conter os índices de criminalidade
Bruno Galasso
votoavoto@uol.com.br
Do Voto a Voto
Os repórteres policiais da região metropolitana de Campinas irão votar no SIM no dia do Referendo, a favor da proibição da venda de armas de fogo. O jornalista Bargas Filho, que cobre notícias de polícia há 23 anos e atualmente trabalha na rádio CBN-Campinas e na Rede Anhanguera de Comunicação, diz que é contra a venda de armas porque as pessoas de bem que possuem armas acabam não sabendo como reagir quando estão em perigo. "Eu não tenho a índole, a formação de atirar em alguém para matar. A maior parte das pessoas que possui uma arma dificilmente vai conseguir reagir a um assalto usando uma arma. Essa arma só vai acabar municiando ainda mais o ladrão", afirma. Bargas diz também que já fez matérias em que bandidos invadiram uma casa apenas para roubar uma arma. "Na semana passada eu cobri um assalto em Monte Mor (cidade próxima a Campinas) em que os ladrões entraram em uma fazenda e mataram duas pessoas só para roubar uma arma que o proprietário tinha". Bargas enfatiza também que a população deve cobrar da polícia e do governo um rigor maior para que não entrem mais armas pelo mercado clandestino.
 | O delegado Oswaldo Diez Junior: "As armas que chegam aqui com o código raspado são armas roubadas de cidadãos de bem e utilizadas por bandidos para os delitos"
|
Outro jornalista conhecido nos noticiários policiais e, que trabalha na Rede Anhanguera de Comunicação há 14 anos, Adagoberto Baptista diz que não é preocupante o fato das empresas particulares de segurança permanecerem armadas. Segundo o jornalista, hoje em dia, com o processo de habilitação do serviço passando pelo controle da Polícia Federal, a atividade tornou-se melhor administrada. "O problema são as empresas que não são oficiais. Inclusive o sindicato das empresas de Campinas tinha uma estatística impressionante. Existe muita empresa não cadastrada. Mas, depois do referendo, essas empresas ilegais não poderão atuar também". Baptista cita também outro ponto que ocorre dentro desse tipo de empresa. "Não podemos esquecer também que os policiais costumam fazer o chamado bico. Pela Lei orgânica das policiais ele não é permitido, porém as autoridades policiais sabem que, com o salário que os policiais recebem hoje, é impossível viver, então acabam não coibindo esse tipo de serviço". Baptista comenta que notou um decréscimo no número de homicídios na cidade de Campinas no último ano, que se deve em grande parte ao Estatuto do Desarmamento. "Antes do Estatuto tinha muita gente que não tinha porte e andava por aí com a arma, mas agora isso não acontece mais porque ele sabe que, se for pego, vai para a cadeia e fica por lá".
Os benefícios do Estatuto foram perceptíveis principalmente dentro das delegacias. O delegado do 1º Departamento de Polícia
(DP) de Campinas, Oswaldo Diez Junior, diz que o estatuto do desarmamento veio sanar um problema que os policiais tinham, que era a falta de uma legislação que pudesse fazer com que o delegado, o promotor ou o juiz tomassem uma providência plausível frente ao crime de porte legal de arma. "Sempre o cidadão que era pego com uma arma e não tinha o porte legal, era trazido até o DP e assinava um termo de ocorrência e, com isso, essa pessoa era liberada. Hoje, esse cidadão que é pego com arma de fogo e não detém o porte legal, fica detido". Outra colocação do delegado a favor da proibição da venda de armas é o fato de que as armas roubadas dos cidadãos comuns acabam no tráfico, municiando os ladrões. "Na minha experiência como delegado há mais de 13 anos, eu já vi diversas vezes uma arma que foi comprada por um cidadão de bem, pai de família, adquirida em uma loja especializada, ter sido furtada ou roubada por um bandido e, esse bandido, a partir daquele momento, se tornou um bandido armado. Então o bandido mata, rouba e comete vários delitos municiados com a arma de um cidadão comum. As armas que chegam aqui com o código raspado são armas roubadas de cidadãos de bem e utilizadas por bandidos para os delitos".
Segundo o TSE, mais de 122 milhões de pessoas deverão votar no dia 23 de outubro e, sendo assim, será a maior consulta informatizada popular do mundo. As emissoras de rádio, inclusive as rádios comunitárias, as de televisão UHF, VHF e os canais de televisão por assinatura sob a responsabilidade do Senado Federal, da Câmara dos Deputados, das Assembléias Legislativas e da Câmara Legislativa do Distrito Federal ou das Câmaras Municipais reservarão, no período de 1º a 20 de outubro, horário destinado à divulgação, em rede, da propaganda gratuita sobre o referendo. Para o rádio, o horário é das 07h às 07h10 e das 12h às 12h10. Na televisão, é das 13h às 13h10 e das 20h30 às 20h40.
|