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28/09/2005
Para médico, o problema não é o excesso de armas, mas sim a falta de informações
Responsável pelo serviço de cirurgia de urgência e trauma do hospital e maternidade Celso Pierro vê com ceticismo potencial positivo da proibição da venda de armamento e munição no Brasil
Mayra Lisa Leme
votoavoto@uol.com.br
Do Voto a Voto
Ele é uma testemunha constante dos danos da violência urbana no Brasil, e também é um cético sobre o potencial positivo da proibição da venda de armas. Para José Gonzaga Teixeira de Camargo, professor adjunto de Clínica Cirúrgica da Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), o efeito positivo da proibição é uma dúvida, mais que uma certeza: "não há dados suficientes que comprovem isto", afirma.
O médico, que é responsável pelo serviço de cirurgia de urgência e trauma do hospital e maternidade Celso Pierro, critica a falta de informações consistentes no País para enfrentar a questão. Ele cita como exemplo disso a inexistência de estimativas confiáveis sobre o número de armas em território nacional."Há um mercado negro muito grande", comenta o professor Camargo.
A questão da proibição, para ele, é apenas uma parte do problema: "a violência não tem fim, se não for com armas de fogo, será com qualquer objeto, por exemplo, uma faca, pau. Quem mata é o criminoso. A arma não comete crime", diz.
Para o médico, a redução nos índices de criminalidade deve ser obtida por meio de leis mais rigorosas, que devem ser seguidas à risca. "Os condenados que fiquem na cadeia. O delinqüente deve ser rigorosamente punido. A violência é intrínseca, precisa ser sufocada", acrescenta. Como exemplo, ele citou o endurecimento das leis nos EUA entre 1980 e 2000, o que fez com que quadruplicasse o número de presos em relação ao existente em 1972. "Isso foi um fator-chave, que respondeu a um terço da queda na criminalidade", argumenta.
O médico afirma que, se todos tivessem o mesmo direito de portar armas, haveria mais respeito entre as pessoas. "Não adianta retirar a arma. O bandido sempre estará armado", explica. Ele discordou das palavras do senador Renan Calheiros, da Frente Parlamentar por um Brasil Sem Armas, quando
ele disse que "ter o direito de portar armas pode provocar crime banal". Segundo Camargo, há um maior número de crianças que morrem afogadas, seja em piscinas, seja em baldes, do que crimes banais cometidos por armas de fogo.
O professor Camargo afirmou ainda que o principal obstáculo para superar os problemas do País está na falta de dados. Ele exemplificou afirmando que os bairros de Campinas precisam ser mapeados melhor, com informações mais regionalizadas. "Um exemplo da falta de conhecimento do governo é o Programa Fome Zero. Em Campinas, o maior problema das crianças é a obesidade e não a fome, como acreditam", concluiu.
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