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26/09/2005
A eleição vista do outro lado da mesa
Campinas terá, nesse 23 de outubro, 6 mil mesários conferindo os títulos de eleitor, auxiliando aqueles que têm dúvidas e garantindo a seriedade e a honestidade do processo político
Cesário Filho
votoavoto@uol.com.br
Do Voto a Voto
Desde 2002, Bruno Galasso mantém um compromisso inadiável com os eleitores do Brasil. Enquanto a maioria das pessoas irá rapidamente aos locais de votação para manifestar sua vontade, ele passará o dia inteiro ali, só que do outro lado da mesa.
Campinas terá, nesse 23 de outubro, 6 mil mesários conferindo os títulos de eleitor, auxiliando aqueles que têm dúvidas e garantindo a seriedade e a honestidade do processo político. Bruno será um deles.
A votação deste ano é diferente: ao invés de uma eleição, haverá um referendo, ou seja, em vez de escolher candidatos para algum cargo, os eleitores foram chamados às urnas para aprovar ou rejeitar uma lei que proíbe a venda de armas no
Brasil (clique
aqui para ler a matéria "TSE explica a diferença entre
plebiscito e referendo"). A pergunta será formulada do seguinte modo: O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil? Será uma escolha entre o "não", representado pelo número 1 da urna eletrônica, e o "sim", representado pelo número 2. Se o "não" vencer, os brasileiros poderão continuar comprando armas e munição, respeitando as restrições impostas pelo Estatuto do Desarmamento. Se o "sim" vencer, somente forças de segurança públicas - polícia, forças armadas e guardas - e particulares - empresas - poderão possuir armas.

Foto digitalmente modificada da urna que
será usada no referendo
Mesários são fiscais e coordenadores do processo eleitoral nos locais de votação. Periodicamente, os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) fazem um processo seletivo e enviam a notificação aos escolhidos pelo correio. O aviso chega com dois meses de antecedência. A convocação tem duração de oito turnos, e o atual referendo será considerado um desses turnos. O trabalho de mesário não é remunerado, mas aqueles que participam ganham um vale-refeição de R$ 3,00. "O problema é que quase nenhum estabelecimento aceita aquele vale", acrescentou Bruno Galasso.
Nos seus três anos de mesário em Campinas, Bruno já assistiu muitos episódios pitorescos. O que mais chamou a atenção dele ocorreu no último pleito: um senhor de 70 anos queria porque queria votar em um candidato. O problema é que a pessoa que ele escolheu não constava da lista eleitoral. Mas a confusão não parava por aí: o eleitor trouxe apenas uma surrada certidão de nascimento para votar e, além de aparentar nervosismo, chegou armado de cartucheira à seção eleitoral... a situação ficou tensa mas, depois de muita conversa, o homem se conformou com a inexistência de seu candidato e depositou seu voto. Em quem ele votou? Isso é com o eleitor, pois o voto é secreto.
Bruno acredita que a eleição desse ano será mais tranqüila. Primeiro porque, pelo Estatuto do Desarmamento, que passou a vigorar plenamente em julho do ano passado, quando foi regulamentado, ninguém mais pode andar armado por aí: revólveres, cartucheiras e similares só dentro de casa. A lei, de fato, já vigorava na época da eleição de 2004, mas cada vez mais está "valendo", ou seja, está cada vez mais sendo cumprida pelos cidadãos e fiscalizada pela polícia. O segundo motivo está no próprio formato da votação, que será mais simples: a população não terá de decorar números de candidatos, mas simplesmente escolher entre o "sim" e o "não".
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