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02/10/2004
Assessores ficam de
olho, mas afirmam que pesquisas não influem
De acordo com o cientista político Pedro Rocha Lemos, as pesquisas
constituem um importante instrumento de avaliação das estratégias dos
candidatos
Roberta Borges
votoavoto@uol.com.br
Do Voto a Voto
Desde o início das campanhas nas ruas e, em
seguida, na TV e no rádio, os candidatos passam os dias buscando
angariar votos e conquistar eleitores. As campanhas começam amenas, com
cada candidato expondo seu projeto. Não demora muito, no entanto, para
os ataques começarem e eles usarem o tempo que têm na mídia para
criticar o que outros políticos fizeram de errado, lembrar antigas
mágoas e se defender das críticas que recebem. Nesse meio conturbado,
as pesquisas surgem para esquentar ainda mais a situação.
Divulgadas pela mídia, as pesquisas sondam as intenções de voto
(estimulada, quando dão os nomes dos candidatos para que o eleitor
escolha, ou espontânea, quando o eleitor dá sua opinião sem uma lista
de candidatos), expectativa de vitória (quem o eleitor acha que
vencerá) e rejeição (em quem o eleitor não vota de jeito nenhum). Mas
de que modo as pesquisas influem no ritmo de campanha dos
candidatos?
De acordo com o cientista político Pedro Rocha Lemos, as pesquisas
constituem um importante instrumento de avaliação das estratégias dos
candidatos. "Após as pesquisas, mudar o foco da campanha por si só não
altera muito os resultados, mas podemos dizer que ajuda", afirma o
cientista. Nestes casos, a importância fica a cargo também do partido,
a tradição e força que tem na cidade, e da história do candidato. "A
possibilidade de investimento na campanha, as coligações partidárias e
o apoio expressivo de segmentos empresariais ou da sociedade civil são
outros elementos que influem bastante", acredita Pedro.
Para o assessor do candidato Fernando Quércia, do Partido Liberal (PL),
Eduardo Brandão, a pesquisa determina até certo ponto a postura do
candidato, fazendo-o sair mais às ruas ou melhorar a campanha na TV.
"Respeitamos as pesquisas, mas elas não apontam o que a gente sente na
rua. Nosso eleitorado é maior do que dizem os resultados", afirma
Brandão. O assessor conta que a campanha costuma trabalhar com os
eleitores indecisos. "No Brasil, o eleitor vota em quem está ganhando",
diz.
"As pesquisas refletem um determinado momento da campanha, porém, não
estão de acordo com o que acontece nas ruas", acredita também o
assessor de campanha do candidato Luciano Zica (PT), Roberto
Candinalli. A campanha de Zica, segundo ele, tem uma estratégia calcada
na militância. O assessor afirma que o partido do candidato, o PT,
costuma ser prejudicado nas pesquisas e, portanto, estas são vistas com
"discernimento e desconfiança". Zica desempatou com o candidato do PSB,
Jonas Donizete, e hoje ocupa sozinho o terceiro lugar na corrida
eleitoral.
Com 22,33% das intenções de voto,
segundo a última pesquisa DataCorp/RAC, e com grandes
chances de chegar ao segundo turno, o coordenador político da campanha
do Dr.Hélio (PDT), Alcides Mamizuka, afirma que eles confiam somente
nas pesquisas internas para o planejamento da campanha. "As pesquisas
de empresas que não têm a ver com a gente não pautam nossas ações, pois
não sabemos a metodologia utilizada", conta Mamizuka.
Para tanto, o coordenador promove pesquisas qualitativas, nas quais
grupos de discussão assistem à propaganda eleitoral e a comentam. A
receptividade de cada um é então analisada por uma psicóloga. Outras
pesquisas são feitas nos bairros. "Estas orientam a estratégia de
campo, onde o candidato deve andar pelas ruas, onde deve fazer reuniões
de liderança", explica Mamizuka.
Elaboração das pesquisas
Segundo a Associação Nacional de Empresas de Pesquisa (ANEP), a empresa
que realiza a pesquisa deve dar a seus clientes e veículos de
comunicação todos os elementos indispensáveis na divulgação dos
resultados, tais como nome da empresa responsável pela realização do
estudo; nome do patrocinador; tamanho da amostra e de sua cobertura
geográfica; datas de realização de campo; margem de erro; método de
amostragem e método de coleta de informação, entre outros.
Segundo a Associação Nacional de Empresas de Pesquisa (ANEP), a empresa
que realiza o estudo deve dar a seus clientes e veículos de comunicação
todos os elementos indispensáveis na divulgação dos resultados, tais
como nome da empresa responsável pela realização do estudo; nome do
patrocinador; tamanho da amostra e de sua cobertura geográfica; datas
de realização do trabalho de campo; margem de erro; método de
amostragem e método de coleta de informação, entre outros.
Além dos clientes e meios de comunicação, o público também deve ter
acesso a todas as informações necessárias para entender, interpretar e
avaliar os dados publicados de forma adequada.
Corrida eleitoral
Segundo
a última pesquisa DataCorp/Rede Anhagüera de Comunicação de
intenção de voto estimulada para a Prefeitura de Campinas, realizada no
dia 20 de setembro, o candidato Carlos Sampaio (PSDB) está em primeiro
lugar, com 30,67% dos votos, seguido pelo candidato do PDT, Dr. Hélio,
com 22,33% das intenções de votos. Luciano Zica (PT) está em terceiro
lugar, com 12,33%, e Jonas Donizete (PSB), em quarto, com 11,83% das
intenções. Fernando Quércia (PL) possui 2,83%. Silvia Ferraro (PSTU) e
Ricardo Xavier (PSDC) têm 0,5%, ficando na frente apenas de Josias Abon
(PCO), que aparece com 0,33%. .
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