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01/12/2004
Pedetistas
criam impasse na legenda
Reinaldo Nogueira explica porque apoiou o candidato Carlos
Sampaio (PSDB) à prefeitura de Campinas, ao invés do Doutor
Hélio
Reprodução
 | Reinaldo
Nogueira: "Os problemas pessoais nós temos que discutir pessoalmente, agora, os problemas políticos, eu acredito que a gente tenha que agir com humildade"
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Juliana
Mausbach
votoavoto@uol.com.br
Do Voto a Voto
Reinaldo Nogueira Lopes Cruz, 37 anos, ingressou na carreira política em 1992 como vereador
em Indaiatuba e foi eleito como candidato mais votado. Em 1994, tornou-se o
primeiro suplente do PDT, o quarto da coligação para Deputado Federal e depois foi presidente da Região Metropolitana de Campinas durante um ano. Em 1996, foi eleito prefeito de Indaiatuba e, reeleito em 2000.
Nesse período, Nogueira realizou muitas obras como a construção de 27 escolas, creches e finalizou as obras do Hospital Municipal que estava parada há 16 anos. Mas, nas eleições municipais deste ano, ele se envolveu em uma polêmica. A poucos meses do final de seu mandato, Reinaldo Nogueira, do PDT, declarou apoio ao amigo e então candidato do PSDB, Carlos Sampaio,
que disputou a prefeitura de Campinas, e deixou de apoiar Hélio de Oliveira Santos, candidato de seu próprio partido. Essa atitude provocou uma crise interna no Partido Democrata Trabalhista e cogitou-se a possibilidade de expulsão do prefeito de Indaiatuba, por motivo de infidelidade partidária. Nesta entrevista, Reinaldo explica o porque do apoio ao candidato do PSDB e esclarece as conseqüências que isso gerou para as relações políticas da Região Metropolitana de Campinas.
Voto a Voto: Porque o senhor resolveu apoiar nas últimas eleições municipais de Campinas, o candidato do PSDB, Carlos Sampaio e não o do seu partido, Dr. Hélio?
Reinaldo Nogueira: Na verdade, essa questão não é partidária, mas sim pessoal. O Dr. Hélio, foi primeiro na minha cidade e apoiou o candidato Neuton Lima, que era nosso adversário político do PTB. Na sua declaração, ele fez um manifesto de apoio como amigo do candidato. Eu fiz o mesmo, dei o manifesto de apoio ao amigo Carlão Sampaio. Então, se é que houve alguma coisa errada, quem saiu na frente foi o Dr. Hélio.
Voto a Voto: Quais as conseqüências que isto gerou para você?
Reinaldo Nogueira: Eu não tive problema partidário. Sou o segundo secretário do partido
em nível estadual e isso foi conversado antes. Inclusive, a Executiva Nacional sugeriu a neutralidade do partido em São Paulo e nós, lá na Executiva Municipal, decidimos apoiar o José Serra. Então, é atitude competente do partido. Agora, quanto as conseqüências, na reunião da Executiva Estadual eu levei um dossiê sobre o Hélio, onde consta que foi ele quem tomou a atitude primeiro, ele quem foi em busca do nosso adversário. Ele nunca pediu apoio nenhum para mim, não só nessas eleições, nem nas eleições passadas. Eu cheguei a sugerir uma reunião para que a gente pudesse colocar "panos quentes" e acabar com isso. Os problemas pessoais nós temos que discutir pessoalmente, agora, os problemas políticos, eu acredito que a gente tenha
de agir com humildade.
Voto a Voto: Na época da polêmica, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, declarou que o seu apoio não seguiu as linhas do partido. Ele disse que até parecia que o senhor nunca tinha lido o Estatuto do partido e ainda mencionou expulsão. Como ficou esta situação?
Reinaldo Nogueira: A Executiva Estadual já conversou com a Nacional. Com certeza o Hélio não deve ter lido o Estatuto tanto quanto eu. Acredito que não vai ocorrer nada, no máximo vão nos chamar a atenção ou alguma coisa neste sentido. Acredito que não vá ocorrer expulsão. Eu não participei da campanha do Hélio, até porque ele não me convidou, mas ajudei vários candidatos a vereador do PDT, participando de várias reuniões de bairros em Campinas, nas quais, em meu discurso, nunca deixei de mencionar o nome do Dr. Hélio. A minha declaração ao Carlão foi uma declaração de amigo, por conhecer seu trabalho. Se ele fosse prefeito, seria um bom prefeito, esta foi, resumindo, a minha declaração.
Voto a Voto: O senhor acha que isso irá atrapalhar as negociações entre as prefeituras de Campinas e Indaiatuba?
Reinaldo Nogueira: Acredito que não, a menos que ele seja um pouco infantil. As questões públicas e administrativas que venham beneficiar a população devem estar sempre em primeiro lugar. Acho que questões partidárias e políticas ficam em segundo plano. A gente que está na política e enfrenta uma administração, deve pensar primeiro na população. Acredito que isso não venha atrapalhar em nada.
Voto a Voto: Qual é hoje o principal problema de negociações entre as prefeituras de Campinas e Indaiatuba? Existe algum impasse?
Reinaldo Nogueira: Hoje, eu tive um primeiro contato com a prefeita Izalene para falar sobre a questão de abastecimento de água num bairro de Indaiatuba que faz divisa com Campinas e já estamos tomando providências para solucionar o problema. Não tivemos dificuldade alguma no fim de governo da Izalene. No ano passado, quando pontes caíram na divisa das cidades durante as fortes chuvas, fizemos um trabalho em parceria - eu fazendo a minha parte e, ela a dela, conseguimos contornar a situação. Então, acredito que hoje é possível ter uma boa parceria sim, basta ter um entendimento. Enfim, aquilo que nós estivermos discutimos deve ter um resultado bom para todos, seja no abastecimento de água, tratamento de esgoto ou transporte coletivo - que já existe entre Campinas e Indaiatuba. A relação entre as cidades se preocupa com o resguardo de divisas e a proteção ambiental de áreas verdes, a fim de evitar invasões.
Voto a Voto: Esse impasse não dificulta as relações?
Reinaldo Nogueira: Acredito que não, porque eu não sou mais prefeito a partir de
janeiro. É o meu sucessor que estará administrando a cidade. As questões pessoais nós devemos estar resolvendo dentro do próprio partido. Agora, quanto às questões pessoais, ninguém é obrigado a gostar de ninguém. Essa é uma relação mais pessoal.
Voto a Voto: O senhor acha que este entendimento irá acontecer dentro do partido. Como é que fica essa articulação política entre as cidades depois?
Reinaldo Nogueira: Eu tenho um grande acesso em Campinas, principalmente dentro do PDT. Como eu disse, ajudei vários candidatos a vereador da cidade e acredito que é possível chegar a um entendimento. Se existiu um deslize por parte do Dr. Hélio ou por minha parte, é possível ser corrigido. Pelo menos da minha parte é, não sei ele.
Voto a Voto: Como você viu a repercussão deste caso na mídia?
Reinaldo Nogueira: Eu percebi que muitas pessoas não sabiam que o Dr. Hélio tinha vindo aqui em Indaiatuba primeiro, participar do lançamento da candidatura do meu adversário do PTB. Então, deu a impressão que eu estava traindo o Hélio. Pelo contrário, ele nunca me procurou para nada A gente sempre se colocou
à disposição do partido e inclusive dele. Acredito que ficou uma imagem negativa para mim que o tempo vai esclarecer. Tudo isto partiu dele, não de mim.
Voto a Voto: Como ex-presidente da RMC, você acha que o caso pode atrapalhar em algum setor ou o desenvolvimento da região?
Reinaldo Nogueira: Não vai atrapalhar em nada. A RMC é soberana a qualquer questão partidária. Nós nunca tratamos de questões partidárias dentro da RMC em momento algum. Lá, o assunto tratado são as necessidades da região.
Voto a Voto: Sobre a questão de seu apoio ao PSDB de Carlos Sampaio, o senhor tem mais alguma consideração?
Reinaldo Nogueira: Acho que o mais importante é esclarecer que tudo começou com o Dr. Hélio vindo até Indaiatuba apoiando um candidato do PTB. Eu sou amigo do pessoal do Carlos Sampaio, tive mais contato com o Carlão do que com o
Doutor Hélio, não por falta de busca de contato com o partido de Campinas. É bom deixar bem claro que isto não partiu de mim, e sim do Dr. Hélio. Eu estou aberto para conversar e colocar "panos quentes" em cima de tudo para tocar o final da minha administração. Na RMC, o PDT dobrou o número de prefeitos, acho que é um quadro importante dentro da região que mostra que o trabalho partidário teve resultado e cresceu bastante em termos de partido e representantes, tanto no Legislativo quanto no Executivo.
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