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30/09/2005
Religiões se mobilizam para o referendo
Entidades dizem não à venda de armas e recomendam o voto no "sim" no dia 23 de outubro
Thaís Fernandez
votoavoto@uol.com.br
Do Voto a Voto
O debate sobre referendo do desarmamento, marcado para 23 de outubro, vem cada vez mais mobilizando partidos e as mais variadas entidades do País. Nas quatro instituições religiosas ouvidas pelo Voto a Voto, a reportagem constatou uma posição de consenso: todas são contra a venda de armas de fogo no Brasil.
Clodoaldo de Oliveira Mello, diretor da área de divulgação da Federação Espírita do Estado de São Paulo, afirmou que vai à urna votar contra a venda de armas e munição no País, porque, para ele, isso atrai a violência. "Quando uma pessoa anda armada, ela já tem uma idéia de agressão", afirma.
Para Clodoaldo, apenas proibir a venda de armas não é o suficiente. "É válida a proposta de desarmamento, mas, falta educação para o ser humano e para sua alma, precisamos atacar pela base e chegar à educação. Nós, espíritas, estamos preocupados com o espírito que é eterno, e a violência traz a destruição", comenta.
 | Nelson
Gervoni, presidente da Igreja Protestante: "iremos
panfletar"
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Nelson Gervoni, que é presidente da Igreja Protestante, do Movimento Anabatista, aposta na conscientização dos seus fieis para a não-violência. "Com base em textos bíblicos, usamos as mídias, pregamos nas igrejas e também iremos panfletar", diz.
O Índice Nacional de Óbitos por armas de fogo, divulgado em 2 de setembro de 2005, pelo Ministério da Saúde, mostra que com a redução do uso de armas de fogo, houve uma diminuição de 8,2 % de mortes em 2004, comparada com os números de 2003, e é nas estatísticas que Nelson se apóia. "A tendência é que o número de mortes por armas de fogo diminua ainda mais com a proibição do seu comércio. É um mito achar que as armas que ameaçam o cidadão são de cano longo, 80% das armas usadas são de canos curto 76% dessas, são brasileiras", afirma.
A igreja é fundamental para a diminuição da violência, é o que acredita o Pastor e Vice - Governador do Rio Grande do Norte, Antônio Jácome. Em declaração divulgada em sua congregação via folhetos e internet, o líder político repudia a venda de armas. "Como pastor e líder evangélico acredito na importância de destacar o papel das igrejas cristãs neste processo. A violência, infelizmente é uma realidade incontestável no cotidiano da maioria das comunidades a que somos enviados para proclamar o Evangelho. Portanto, é nosso dever moral, como cristãos, assumir o papel de protagonistas neste momento, desencadeando ações que envolvam a igreja, organizações e seminários na disseminação da proposta da paz em nosso país e na sensibilização da população Brasileira para dizer um sono sim a proibição do comércio de armas no referendo de outubro. Bem aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus", diz o manifesto
(clique aqui para ler essa e outras declarações no site "Referendo
Sim").
Entidades religiosas como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), também apóiam o desarmamento. Em declaração oficial no dia 15 de agosto de 2005, a CNBB afirmou que "proibir o comércio e o uso de armas é um passo decisivo, mas não suficiente". Para os bispos, a diminuição da violência depende de outros fatores como a educação, "é indispensável educar para a paz e a defesa da vida".
Gerson Gomes Novo, pastor da Igreja Cristã Maranata e ex-membro das Forças Armadas do Brasil, acredita que a proibição da venda de armas não diminuirá a violência mas, como entidade religiosa, vai às urnas dizer sim à proibição. "Preocupamo-nos muito com o avanço da violência e com a degradação do homem como criatura de Deus, entretanto entendemos que o que leva a estes extremos é o seu distanciamento do Salvador, mas vamos , e não o fato de ele andar armado", explica.
Mas para Gerson, o referendo representa também, uma forma do governo fugir de suas reais responsabilidades. "O atual Estatuto do Desarmamento é uma peça poderosa na mão do Estado e que já restringe o uso de armas através de uma série de exigências, além de determinar as penas, inclusive inafiançáveis, para o uso sem o devido porte. Talvez por isso a solução do desarmamento pareça tão atraente e de fácil aplicabilidade. Na minha opinião, é necessário pesar profundamente todas as variáveis para decidir corretamente", conclui.
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