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02/10/2005
Segurança privada acredita que "bandidagem" não vai ser afetada pelo resultado do referendo
"Se a bandidagem não sentir por parte do poder público um enfrentamento da criminalidade, as coisas podem até piorar", diz Carlos Roberto Silveira, assessor do Sindicato das Empresas de Segurança e Vigilância do Estado de São Paulo
Maísa Urbano
votoavoto@uol.com.br
Do Voto a Voto
No dia 23 de outubro, a população brasileira vai às urnas para votar o referendo do desarmamento. Os eleitores vão decidir se são a favor ou contra a proibição do comércio de armas de fogo e munições no País. Caso o referendo do desarmamento tenha um resultado positivo, apenas os responsáveis pela segurança pública, integrantes das forças armadas, policiais, agentes de inteligência, agentes de segurança privada e civis com porte concedido pela Polícia Federal possam andar armados. A categoria da segurança privada tem opiniões divididas quanto às mudanças que o resultado pode trazer no exercício de sua atividade.
Segundo o assessor do Sindicato das Empresas de Segurança e Vigilância do Estado de São Paulo, Carlos Roberto Silveira, só o fato de haver uma diminuição da quantidade de armas em circulação já significa uma possibilidade de melhora no cotidiano do vigilante que atua diretamente no combate à criminalidade e corre um grande risco por isso. "O índice de homicídios de vigilantes é muito alto. Só no Estado de São Paulo, para cada policial que morre, morrem dez vigilantes. Nossos trabalhadores estão expostos à ação imediata do criminoso e a polícia faz a ação seguinte, que é a busca e captura do bandido. E ainda por cima não é obrigatório o uso de coletes à prova de bala para nossa categoria. Com todo esse risco, qualquer medida que vise a queda do número de armas é válida", disse. Porém Silveira acredita que isso não é o suficiente. "Há de ser coibida a entrada de armas no País de todas as maneiras. Até camelô faz contrabando de arma. A própria polícia também traz armamento de fora, sem mencionar os policiais que tomam as armas dos criminosos e as vendem", afirmou. O assessor enfatizou que devem ser tomadas outras medidas que atinjam os criminosos diretamente. "Se a bandidagem não sentir por parte do poder público um enfrentamento da criminalidade, as coisas podem até piorar. Imagino que qualquer governo sério faria uma segunda proposta para combater a criminalidade, pois, do contrário não vai levar muito tempo para percebermos um aumento na violência", completou.
Já o vigilante Antônio Nonato da Silva acredita que o resultado do referendo não vai afetar o cotidiano do profissional. "Nós lidamos diretamente com os criminosos e eles sempre se viram para arrumar armas. Isso não vai mudar, seja qual for o resultado do referendo", disse. Contudo, Silva acredita que o desarmamento da população trará benefícios para a sociedade. "Há dois pontos importantes. A maioria dos cidadãos civis não tem preparo para usar arma e, com o referendo, o número de acidentes poderá diminuir. Outro fato é que se o bandido sabe que a pessoa tem uma arma em casa, ele vai fazer de tudo para tomar essa arma para si e, desse modo, a população acaba armando a bandidagem. Isso também deve acabar", explicou.
Silveira alerta para o fato de haver, só no Estado de São Paulo, 400 mil vigilantes trabalhando irregularmente e 125 mil registrados. A atividade de segurança privada é fiscalizada pela Polícia Federal por meio da Delegacia de Controle de Segurança Privada (Delesp). Em cada estado há, no mínimo, uma delegacia para controle e fiscalização de Escolas de Vigilantes, Empresas de Vigilância, Empresas de Transportes de Valores e demais estabelecimentos que queiram possuir seu quadro próprio de segurança. "O problema é que a Polícia Federal só tem o poder de notificar a empresa clandestina no local onde ela está sediada e só pode fazer a autuação se a empresa continuar a exercer a atividade de forma irregular. Além disso, só a Polícia Militar pode ir atrás daqueles que estão em vias públicas e ela não faz isso efetivamente. Aí continua tudo como antes", disse Silveira.
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